Sempre fiz essa pergunta a mim mesmo desde que ingressei na graduação. Até agora, no final dela, não consegui achar a resposta. Mas alguns itens me fazem refletir um pouco:
- Profissionais despreparados: é apenas o começo quando um vestibulando vai tentar cursar Biblioteconomia e as pessoas perguntam: “Por que tu vai fazer isso?”. Então esse candidato torna-se graduando e não sabe do que ele mesmo trata como profissional. No livro “Conhecimento empresarial: como as organizações gerenciam o seu capital intelectual” de Thomas Davenport e Laurence Prusak são dedicadas algumas páginas que designam o Bibliotecário como corretor do conhecimento; em outras palavras, o intermediário, facilitador do acesso à informação. Repito: informação! Olhe lá que alguns profissionais saibam a diferença entre informação e conhecimento. Intermediam informação através de malditas classificações que apenas arrumam livros em estantes e confundem, cada vez mais, os usuários que desejam informação;
- Os novos são os mesmos antigos: digo isso pedindo desculpa aos Bibliotecários já formados há algum tempo que conseguiram, por mérito próprio, a sua atualização frente ao mercado. Mas os novos Bibliotecários têm a mesma crença: catalogação, classificação e indexação formal e rígida podem satisfazer o usuário. Não satisfaz! Satisfaz, sim, o ego dos Bibliotecários que mascaram informações e vangloriam-se do usuário perdido entre estantes;
- São práticos: não resisti à ironia deste item. Bibliotecários são práticos porque ignoram a teoria. Cansei de ouvir, de colegas e outros graduandos, que “não precisamos de teoria, afinal temos que dispor livros em estantes”. Ainda lembro de um professor rebater da seguinte maneira: “O cidadão que acha que pode utilizar a prática sem a teoria está num estado de inocência deprimente”. Faço minhas as palavras dele;
- Bibliotecários não gostam de tecnologia: muitos têm medo de computadores; muitos não sabem como utilizar um computador. Mas não é apenas o computador, é a tecnologia em geral, além de não ter conhecimento mínimo sobre as tecnologias mais simples. Desculpem, mas acho que a informática é básica como ferramenta de apoio.
Esse post teve início quando perguntei à Bibliotecária responsável pela biblioteca onde trabalho o motivo da utilização de empréstimo manual quando dispomos de um sistema com módulo de empréstimos e ela disse que o sistema “dá trabalho” e por vezes pára de funcionar. Estranho que quando eu perguntei há quanto tempo o sistema não apresentava problemas ela respondeu que o período era perto de um ano…
Bom, eu, sinceramente, não entendo. Quem sabe algum dia alguém consiga explicar a causa disso.


Jackson,
Eu estava lendo este seu post e pensando nas bibliotecas em que já estive no Brasil. A maioria delas são ineficiêntes ou burocráticas demais. Você tocou num ponto que sempre achei um absurdo. Bibliotecário não gostarem de tecnologia. E juntando as minhas experiências em Bibliotecas e este seu ponto, para mim fica muito claro que existe um medo por trás deste “não gostar”. Um medo associado ao domínio da máquina sobre o homem. Basta olhar pro passado e pensar na Revolução Industrial. Esta mentalidade de que a máquina vai tirar os nossos empregos permanece, só que hoje sabemos que esta situação não se aplica mais e que precisamos de computadores para tornar nosso trabalho mais eficiente.
Eu trabalhei com conteúdo web durante muito tempo e hoje estou começando a me aventurar em arquitetura de informação. Folksonomia está em voga e continuará por muito tempo, você está num ótimo caminho. Parabéns pelo seu blog.
Obrigado pelo seu comentário, Bernarda. Essa é uma questão que constatamos facilmente. O Bibliotecário ainda não perdeu esse “medo” e também não conseguiu agregar a tecnologia à sua vida. Bom, ainda é um mistério a causa disso, mas tomara que mude. Tomara…
Para mim, são dois os motivos: (1) os currículos rígidos dos cursos de biblioteconomia não incentivam a busca das “novidades” da carreira e não preparam para o uso inteligente das tecnologias que estão aí presentes; (2) os ingressantes nos cursos de biblioteconomia não fazem idéia das possibilidades e da realidade da carreira, pois ainda crêem que lugar de bibliotecário é atrás da pilha de livros para carimbar e preparar a fichinha catalográfica - e continuam assim eternamente porque as faculdades não transformam as suas cabeças.